
Lançado em 2018, o "Liberation" foi o álbum que afastou a Christina Aguilera do pop datado que fez no "Lotus" (2012), seu até então, último trabalho lançado e mostra que sempre será uma artista a frente do seu tempo.
Explorando o urban e sonoridades que Aguilera nunca havia trabalho antes e com produção do Kanye West, seu sexto álbum de estúdio salvou a carreira da Christina.
Até 2017, Christina sempre teve sua carreira menosprezada e motivo de chacota por muito tempo vindo de dois flop seguidos e inúmeras situações que a colocaram em um lugar que não era o dela.
Ela começou então uma mudança de imagem e passou a se comportar como uma A-list de verdade após sair do The X Factor em 2016. E lançar um álbum experimental e conceitual era tudo que ela precisava para ser respeitada!
O álbum recebeu ótimas criticas, mas apesar de tudo ela é Christina Aguilera, que infelizmente sobre boicotes e crÃticas desnecessárias sobre seus trabalhos.
E hoje quase 10 anos depois (sim!) o álbum mostra como a Xtina tem essa habilidade de fazer trabalhos que serão necessários anos depois, com sonoridades exploradoras bem antes do que podemos ver bastante nessa década.

O disco começa calmo e com uma introdução que cria uma atmosfera, com sons de crianças rindo e Christina falando quase como a si mesma “cadê você?” E “lembre-se”.
Uma pequena intro novamente com ‘Searching for Maria’ que nos leva a uma das melhores faixas que a Aguilera já lançou em sua carreira. ‘Maria’ é uma música experimental, com elementos R&B, soul com uma essência gospel. Com batidas fortes, a música quebra em várias partes e que deixa ela tão atemporal e realmente o sample usado por ela aqui do Michael Jackson foi genial!
'Sick of Sittin’' tem vocais poderosos e em uma faixa emblemática com influências do funk alternativo e hip hop.
'Fall in Line' com a participação da Demi Lovato funcionou muito bem, talvez seja a faixa mais comercial do álbum que faz toda diferença para proposta do disco e qual essa faixa apresenta. Ao sons de correntes, esse é um hino feminino sobre a liberdade de expressão e resistência. Com sintetizadora a base de vocais quase que cru, a faixa mescla entre o trap-soul e R&B alternativo, que casualmente é o melhor gênero que ambas podem explorar.
'Right Moves' é uma boa faixa mas acaba ficando ofuscada estando entre Fall In Line e 'Like I Do' com GoldLink, que é um dos melhores feat do disco e uma das minhas favoritas. Ela explora aqui mais o R&B e com uma produção simples porém impactante leva a fama de ser uma das queridinhas entre os fãs.
As faixas a seguir são 'Deserve' e 'Twice', sendo Twice a primeira baladinha oficial do álbum, com piano e voz como Christina sabe fazer muito bem. Enquanto Deserve também é uma baladinha, porém mais agitada e aqui Aguilera vulnerável e honesta sobre seus sentimentos.
Com mais uma interlude chagamos a última parte do álbum que apesar de ótimas faixas, acaba ficando um pouco confusa visto que temos aqui músicas como 'Accelerate'.
O primeiro single do álbum, e que definitivamente chocou as pessoas com uma produção totalmente experimental, nunca visto antes, Aguilera aqui brinca com vários gêneros e elementos do hiphop, trap, R&B e o feat com o Ty Dollar $ing e 2 Chainz foi essencial para criar essa faixa que assinatura de Kanye e definitivamente é a música mais experimental por uma diva pop que conhecemos.
E quando eu disse que essa parte do álbum é um pouco confusa é porque saindo de Accelerate vamos para 3 faixas baladinhas e apesar de Pipe puxar mais para o soul e novamente o R&B.
'Masochist' é a faixa mais crua do álbum e uma forte música sobre amar alguém tanto a ponto de fazer mal a si mesma. Enquanto no contrates temos 'Unless It’s With You', que assim como no 'Back To Basics' (2006) em ‘The Right Man’ é uma música sobre amor e uma vibe casamento. É a versão bodas de casamento.
O Liberation talvez não seja o melhor trabalho de Christina, mas salvou a carreira dela de alguma forma, apresentando ela para a nova geração de uma forma madura e honesta. Na história da música os trabalhos mais sinceros são sempre os mais atemporais e aqui não é diferente. E assim como o "Bionic" de 2010 que trouxe vários elementos para a música pop e EDM na década passada, nos anos 2020s podemos dizer que o Liberation vem se provando a frente de seu tempo também.
Esse é um álbum cru, com letras pessoais e apesar da atmosfera bastante carregada de vários elementos, escutando com calma e uma boa taça de vinha é o tipo de disco que se escuta e aprecia cada vocal, já que neste trabalho é um dos que a Xtina mais explorou seus vocais de formas diferentes, mas também, em um trabalho com várias referências a gêneros nunca explorados por ela, foi essencial aqui explorar a voz da geração de formas diferentes.



